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O que é o pano e como é que nos podemos livrar dele?

Uma das principais queixas que atendo no meu consultório prende-se com o pano, o maldito pano que flagela a auto-estima das mulheres, numa das mais cruciais e importantes fases da sua vida: A gravidez.

As alterações corporais provocadas pela gravidez não se cingem apenas ao aumento do peso e volume ou ao eventual aparecimento de varizes, derrames ou estrias. Mais de 50% das mulheres apresentam, como consequência de alterações hormonais, mudanças na pigmentação da pele. E vêem o seu rosto coberto por manchas acastanhadas às quais damos o nome de Pano da gravidez (também conhecido por “máscara gravídica”, melasma ou cloasma).

gravidezA gravidez pressupõe um aumento invulgar de hormonas no sangue, como por exemplo os estrogénios e a progesterona que têm um efeito estimulante sobre os melanócitos. Os melanócitos são as células responsáveis pela produção de melanina. Acontece que nalgumas zonas do rosto, como a testa e os pómulos, há por vezes uma desregulação na produção de melanina, produzindo-a em excesso. Daí a manifestação de manchas castanhas claras ou mais escuras.

As zonas mais afectadas por estas manchas são normalmente o rosto, em particular a testa, as bochechas, a parte superior do lábio e o queixo.  Aparecem entre o 4º e o 6º mês de gravidez, e apesar de benigna é inestética prejudicando a auto-estima da mulher.

Há quem diga que estas manchas (cloasma) desaparecem no mês seguinte ao parto, mas tal não é necessariamente verdade. Há inúmeras mulheres que me consultam anos após o parto. E inclusivamente mulheres que não observam estas manchas durante o inverno, mas vêem-nas reaparecer anualmente no verão sob o efeito dos raios UV, aquando da maior exposição solar.

Este excesso de pigmentação localizada pode ser superficial ou profundo:

– em mais de 70% dos casos, a melanina deposita-se na epiderme e por isso a sua eliminação é rápida

– em cerca de 10% o cloasma afecta a derme ( camada da pele mais profunda em relação à epiderme), e em 20% dos casos, o cloasma afecta quer a derme quer a epiderme. Em qualquer um dos casos, o seu tratamento é mais moroso e a sua eficácia mais reduzida, podendo inclusivamente haver tratamentos incompletos ou ressurgimentos.

Às minhas pacientes que sofrem com estas manchas, apenas posso dizer que o tratamento é só um:  Peelings despigmentantes.

Peeling mais ou menos profundo, em maior ou menos número de sessões, é para já o único método para eliminar as manchas. A razão é simples. O peeling é um tratamento feito com um ácido que penetra nas várias camadas da pele, provocando uma descamação. As manchas vão sendo eliminadas à medida que o ácido penetra na cama da pele onde se encontram, contendo igualmente moléculas que inibem a nova produção de pigmento. Não esquecer que a terapêutica de manutenção posterior é importantíssima para estabilização dos resultados.

Na minha experiência pessoal, embora surjam vários artigos na literatura a esse respeito, o uso de qualquer tipo de laser para o tratamento do melasma é formalmente desaconselhado.