Os mitos e a prevenção eficaz do herpes labial

O herpes labial é das mais comuns infecções virais em todo o mundo, afectando uma percentagem elevada dos membros de uma população. Trata-se de uma infecção causada pelo vírus herpes simples (HSV-1 ou HSV-2), que nos acompanhará durante bastantes anos ou durante a vida toda. Esta infecção é ao mesmo tempo fácil de combater e fácil de propagar, graças a propriedades particulares que favorecem a sua transmissão.

E você? Sabe distinguir entre os mitos e as verdades sobre o herpes labial?

As ideias erradas sobre o herpes labial

Herpes labialCerca de 30-40% da população mundial teve em algum momento um episódio sintomático de herpes labial, mas a prevalência deste vírus pode abranger até mais de 90% da população humana (quase toda a população tem contacto com este virus num momento ou outro da sua vida). Este perigo existe tanto para o herpes labial, quanto para o genital: um conjunto elevado de indivíduos podem ser apenas portadores assintomáticos, mas continuam a representar um perigo para os outros. Porque a ausência de sintomas nem sempre significa ausência de contagiosidade e nunca é demais recomendar que se tomem todas as precauções possíveis no decorrer de relações sexuais, por forma a evitar o contágio.

Infelizmente, apesar de se achar que a transmissão do vírus só se dá durante um episódio activo, isto não é verdade. Como perante a presença de sintomas tendemos a evitar o contacto com a infecção, é precisamente durante os períodos sem sintomas que mais vezes se dá o contágio, pois o vírus activo pode ser excretado através de micro lesões na pele.

Durante um episódio de herpes labial, os sintomas podem ser incomodativos, e alguns indivíduos podem pensar que tratar o local da infecção com substâncias cáusticas como o álcool ou a tintura de iodo alivia os sintomas e ajuda a curar o episódio, mas nada está mais errado. As substâncias cáusticas não surtem qualquer efeito sobre o vírus e poderão efectivamente irritar mais ainda os locais de aplicação, vulnerabilizando a pele e facilitando a propagação do vírus. Só anti-víricos poderão surtir um efeito útil sobre os vírus.

E se achar que o herpes labial não é perigoso, está enganado. O herpes genital, durante um parto pode ser fatal para o recém-nascido, causando-lhe uma encefalite herpética. É, por isso, uma exigência o parto por cesariana nestas condições. O vírus do herpes pode ainda afectar segmentos correspondentes a nervos periféricos  da zona ocular ou do ouvido, causando sintomas pesados e muito incómodos a este nível.

Como prevenir o herpes labial

Uma vez infectados, o herpes labial irá acompanhar-nos ao longo de uma boa parte da vida, com ou sem sintomas. O modo rápido como um episódio surge é uma das causas para a sua transmissão ser tão fácil, pois mesmo antes de notarmos algum sintoma, já podemos ter carga viral activa a expressar-se na superfície da nossa pele e a possibilitar o contágio.

Após um episódio, o vírus migra ao longo dos nervos para ficar dormente nos respectivos gânglios onde estímulos externos podem voltar a acordá-lo. Tais factores desencadeantes incluem a menstruação, episódios de febre, traumatismos locais, estados de ansiedade ou exposição solar excessiva.

Embora não haja verdadeiramente um modo de totalmente evitar o herpes labial, deixamos aqui os nossos conselhos para a sua prevenção:

  • A exposição solar é a causa mais fácil de controlar. Se tem episódios recorrentes de herpes labial, utilize um protector solar nos lábios. Ensaios clínicos mostraram que esta medida corta para menos em metade a probabilidade de desenvolver um episódio de herpes após exposição solar.
  • Recorra a alimentos que contenham lisina, como batatas, ovos e peixe. A lisina tem sido apontada como um factor preventor de episódios de herpes labial. No entanto, deve monitorizar os seus níveis de colesterol, pois a lisina tende a aumentar os mesmos.
  • Mantenha o seu sistema imunológico forte, através de uma alimentação saudável, pois sabemos que quando este está comprometido (por exemplo durante uma constipação), é que o vírus tem mais possibilidades de se reactivar.
  • Evite entrar em stress. Mesmo que as provas científicas sejam omissas, o stress parece anteceder um episódio de herpes. Se este for o seu caso, procure formas de se ocupar para evitar o stress, seja isso ginástica, meditação, ou outra actividade.
  • No caso de sofrer de episódios de herpes de repetição deverá ter à mão, sempre, anti-virais de toma oral (aciclovir ou valaciclovir), para iniciar a terapêutica o mais brevemente possível quando iniciar sintomas de um episódio agudo de herpes.
  • Localmente devem ser aplicadas apenas elementos que “sequem” as lesões, o mais inertes possível (sulfato de zinco, éter, …) para evitar sensibilizações e eczemas secundários.

Mas acima de tudo, fale com um médico dermatologista em Lisboa ou na sua cidade. Só um médico pode aconselhá-lo e prescrever uma terapia de manutenção e supressão com medicação, caso tenha episódios recorrentes de herpes labial.

Nota: Este artigo foi originalmente publicado a 21 de Agosto de 2014. O seu conteúdo foi actualizado.

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